Prev Next

Mostrando postagens com marcador Histórias de Deuses e Heróis. Mostrar todas as postagens

A Post Without Image

HISTÓRIA DE DEUSES E HERÓIS - ÍSIS

     Embora o mito de Ísis e Osíris fosse conhecido por todo o Egito, nenhuma fonte egípcia nos fornece todos os detalhes da história essencial. Para encontrá-las em fontes seguras antigas é necessário recorrer a Plutarco (46 - 126 d.C.), filósofo e prosador grego do período greco-romano. Em "Sobre Ísis e Osíris", obra dedicada a Klea, uma sacerdotisa de Ísis e Osíris, ele apresenta um registro sobre tal.
     O texto abaixo foi adaptado de Moralia, de Plutarco (traduzido por Frederick Cole Babitt),  constante no livro OS MISTÉRIOS DE ISIS - SEU CULTO E MAGIA  (Detraci Regula).

REGISTRO DE PLUTARCO SOBRE A HISTÓRIA DE ÍSIS E OSÍRIS

(...) O Sol, quando ficou sabendo do relacionamento de GEB, O Deus da Terra,  com NUT, a Deusa do Firmamento,  invocou uma maldição sobre ela para que não pudesse dar à luz uma criança em qualquer mês  de qualquer ano; mas Thoth, que estava apaixonado pela deusa, casou-se com ela e, mais tarde, jogando com a Lua, ganhou dela a sétima parte de cada um dos seus períodos de iluminação. E de todas as vitórias, ele criou cinco dias e os intercalou, somando-se aos trezentos e sessenta e cinco dias. Os egípcios, até hoje, celebram esses cinco dias como o nascimento dos deuses. Eles relatam que no primeiro dia nasceu Osíris, e na hora de deu nascimento uma voz proclamou: "O Deus de tudo avança para a Luz".  No segundo dia, Hórus nasceu (alguns o chamaram de Apolo e outros de Hórus mais velho). No terceiro dia, Seth nasceu. No quarto dia, nasceu Ísis, nas regiões onde sempre há umidade; e no quinto dia nasceu Néftis (a quem foi dado o nome de Finalidade ou Afrodite, e alguns outros a chamaram de Vitória). É relatado que Néftis se tornou mulher de Seth, mas Ísis e Osíris se apaixonaram e se uniram no ventre da mãe antes de nascer. Hórus nasceu desta união e foi chamado de Hórus mais velho pelos egípcios, e Apolo pelos gregos.

  Um dos primeiros atos atribuídos a Osíris em seu reinado foi livrar os egípcios de seu modo rude e desamparado de viver. Ele fez isso mostrando-lhes os frutos do cultivo, dando-lhes leis e ensinando-lhes a honrar os deuses. Mais tarde, ele viajou por toda a terra, civilizando-a sem a menor necessidade de armas, mas atraindo as pessoas através da fala encantadora e persuasiva combinada com canções e todos os tipos de música.. Durante sua ausência, Seth não tentou praticar nenhum mal, porque Ísis, que governava, estava vigilante e alerta, mas quando o rei voltou para casa, Seth elaborou um plano traiçoeiro e reuniu um grupo com setenta e dois conspriradores. Ele também contou com a ajuda de uma rainha etíope que estava no Egito naquele momento, e cujo nome seria Aso. Seth, tendo medido secretamente o corpo se Osíris e preparado uma bela arca do tamanho correspondente, artistícamente ornamentada, fez com que ela fosse levada à sala onde as festividades aconteciam.Os participantes admiraram muito a arca e Seth prometeu em tom jocoso que a daria de presente àquele cujo corpo se encaixasse perfeitamente dentro da arca. Todos tentaram, mas ninguém conseguiu: então Osíris entrou na arca e se deitou, e os conspiradores correram e a lacraram. Depois levaram a arca para o rio e a soltaram no mar através da foz Tanitic. Até hoje os egípcios consideram essa foz odiosa. Essa é a tradição. É ainda relatado que a data em que isso acontecera foi o décimo dia de Athir, quando o sol passa por Escorpião, e o vigésimo oitavo ano do reinado de Osíris. Os primeiros a descobrir o acontecimento e a levar a notícia ao conhecimento dos homens foram os pans e sátiros que viviam na região próxima a Chemmis, e por essa razão até hoje a repentina confusão e desespero de uma multidão recebe o nome de pânico.  Quando Ísis soube o que aconteceu, imediatamente cortou uma das tranças e vestiu um traje de luto, em um local onde a cidade ainda hoje tem o nome de Copto. Outros acreditam que o nome significa "privação", porque os egípcios expressam esse estado com a palavra Koptein. Mas Ísis procurou a arca por todos os lugares, perguntando sobre seu paradeiro a qualquer pessoa que encontrava, inclusive crianças pequenas. As crianças disseram ter visto a arca e contaram a Ísis o nome da foz do rio através da qual os amigos de Seth jogaram a arca no mar. Desde então os egípcios acreditam que as crianças pequenas têm o poder da profecia e tentam adivinhar o futuro através de presságios encontrados nas palavras das crianças, principalmente quando elas estão brincando em lugares sagrados e gritam qualquer coisa que lhes venham à mente.

(A história também conta que quando Ísis descobriu que Osíris havia se deitado com sua irmã acreditando tratar-se de Ísis, e viu a prova na guirlanda de flores esquecida por Néftis, procurou a criança nascida dessa união, porque Néftis a abandonara imediatamente após o nascimento, por temor a Seth. E quando o menino foi encontrado, após muitas dificuldades e problemas, com a ajuda de cães que conduziram Ísis até ele, foi criado pela deusa e tornou-se guardião e auxiliar de Ísis, recebendo o nome de Anúbis. Acredita-se que ele proteja os deuses do mesmo modo que os cães cuidam dos homens.)

   Mais tarde, segundo o relato,  Ísis descobriu que a arca fora levada pelo mar até a terra de Biblos, e que as ondas gentilmente a depositaram no meio de uma moita de urze. A urze, em pouco tempo, cresceu e se transformou em um belo e grande tronco que envolveu a arca, escondendo-a. O rei daquele país admirando o tamanho da planta, cortou a parte que envolvia a arca, agora totalmente escondida; esta parte foi usada como um pilar para apoiar o telhado do palácio. Ísis tomou conhecimento desses fatos através da inspiração divina de Rumor e, seguindo para Biblos, sentou-se junto a uma nascente, traída e em lágrimas, não conversou com ninguém, exceto as servas da rainha, a quem elas tratou com gentileza, trançando-lhe os cabelos e dando-lhes uma maravilhosa fragrância de seu próprio corpo. Mas quando a rainha observou as servas, foi tomada de um anseio pela mulher desconhecida, pelo penteado e pela fragrância de ambrosia. Ísis foi chamada e tornou-se tão íntima da rainha que esta confiou-lhe seu bebê para tomar conta. Dizem que o nome do rei ara Malcander; alguns afirmam qua a rainha se chamava Astarte, outros a chamam de Saosis, outros, ainda, de Nemanus, a quem os gregos chamavam de Atenas.

  A história conta que Ísis amamentou a criança, oferecendo-lhe o dedo em vez do seio, e à noite queimava as porções mortais de seu corpo. Ela própria se transformava em andorinha e voava ao redor do pilar em prantos e lamentações, até que a rainha, vendo o bebê em chamas, gritou e, portanto, privou-o da imortalidade. Então a deusa se revelou e pediu o pilar que servia de suporte para o telhado. Moveu-o com grande facilidade e cortou a madeira que cercava a arca: após envolver a madeira com um tecido de linho e derramar perfume sobre ela, a deusa deixou-a aos cuidados dos reis; e até hoje o povo de Biblos venera a madeira que preservou o santuário de Ísis. Depois, a deusa se jogou sobre o caixão, com um lamento tão horrível que o filho mais novo dos reis morreu na mesma hora. Ísis ficou com o filho mais velho e, tendo colocado o caixão no barco, partiu do país. Como o Rio Phaedrus provocava um vento muito forte pela manhã, a deusa ficou com raiva e secou seu fluxo. No primeiro local onde encontrou privacidade, ela abriu a arca e encostou o rosto no de Osíris, acariciando-o e chorando. Uma criança aproximou-se silenciosamente e viu o que havia dentro da arca. Quando a deusa percebeu isso, virou-se para a criança com olhar de raiva; esta, não resistindo ao medo, morreu. Alguns afirmam que o menino caiu no mar. Ele também recebe honras por causa da deusa, pois acredita-se que Maneros, sobre quem os egípcios cantam nas festividades, é essa criança. Outros, no entanto, dizem que o nome do menino era Palestino ou Pelúsio, e que a cidade fundada pela deusa recebeu o nome em homenagem a ele. Conta-se ainda, que esse Maneros, o tema das canções egípcias, foi o inventor da música. Segundo os relatos, Ísis seguiu para o local onde estava seu filho Hórus, criado por Buto, e colocou a arca em um local escondido; mas Seth, que caçava à noite sob a luz da lua a encontrou por acaso. Reconhecendo o corpo, ele o dividiu em catorze partes e as espalhou em diferentes locais. Ísis descobriu o que aconteceu e saiu em busca das partes novamente, navegando pelos pântanos em um barco de papiro. É por isso que as pessoas que navegam nesse tipo de barco não são atacadas por crocodilos, uma vez que essas criaturas mostram temor ou respeito à deusa.

O resultado do desmembramento de Osíris é a existência de muitos supostos túmulos do deus espalhados por todo o Egito, porque Ísis organizava um funeral cada vez que encontrava uma parte do corpo em um local diferente. A única parte do corpo de Osíris não encontrada por Ísis foi o membro masculino, porque ele fora imediatamento jogado ao rio e devorado pelos peixes. Por esse motivo, os egípcios se abstêm de ingerir certos peixes de água doce. Mas Ísis fez uma réplica do membro e consagrou o falo, em cuja honra os egípcios até hoje celebram um festival. Tempos depois, Osíris, vindo do outro mundo, chegou até Hórus, treinando-o para a batalha. Um dia, Osíris perguntou a Hórus o que ele considerava a  mais nobre das coisas. Quando Hórus respondeu: "Vingar o pai e a mãe pelo mal a eles causado", Osíris perguntou-lhe que animal seria o mais útil para a batalha; e quando o rapaz respondeu: "o cavalo", Osíris ficou surpreso e perguntou por que não seria o leão. Hórus respondeu que o leão seria um animal muito útil para o homem que precisasse de ajuda, mas que um cavalo era melhor para derrubar o ataque inimigo e aniquilá-lo. Osíris ficou muito satisfeito com a resposta, pois sentiu que Hórus já estava preparado. Conta-se que, assim como muitos estavam se aliando a Hórus, a concubina de Seth, Thoueris, também o fez; e uma serpente que a perseguiu foi cortada em pedaços pelos soldados de Hórus, e agora, em memória desse acontecimento, as pessoas atiram uma corda ao solo e a cortam em pedaços.
 A batalha durou muitos dias e Hórus venceu. Contudo, Ísis, a quem Seth foi entregue acorrentado, não ordenou sua execução, mas o deixou livre. Hórus não pôde aceitar isso e, enraivecido, arrancou o diadema real da cabeça da mãe; mas Toth colocou no lugar do diadema um elmo semelhante à cabeça de uma vaca.

   Seth acusou formalmente Hórus de ser uma criança ilegítima, mas com a ajuda de  Toth para defendê-lo, os deuses decidiram que Hórus era legítimo. Seth foi, portanto, derrotado em mais duas batalhas.
   Outras histórias semelhantes a essa são relacionadas a Seth; o modo como ele guiado pelo ciúme e hostilidade, praticou atos terríveis, e por trazer absoluta confusão sobre as coisas, encheu toda a Terra e o oceano com doenças, sendo punido depois. Mas a vingadora, irmã e mulher de Osíris, após extinguir e suprimir a loucura da fúria de Seth, não ficou indiferente `as dificuldades e lutas pelas quais ela passou, nem às suas andanças ou aos muitos atos de sabedoria e feitos de bravura: nem tampouco aceitaria ficar no esquecimento e silêncio por eles, mas integrou-se nas mais sagradas representações dos ritos e de suas experiências à época, e os santificou, tanto como uma lição de religiosidade quanto um encorajamento para homens e mulheres que se encontrem no meio de uma calamidade semelhante. Ela e Osíris, por suas virtudes transformados de semideuses em deuses,  não impropriamente desfrutam de honras duplas,  e seus poderes se estendem para todos os lugares, mas são maiores nas regiões acima e abaixo da Terra.

(deTraci Regula  é sacerdotida da Irmandade de Ísis desde 1983 e recebeu o título de reverenda do templo)

Paralelos com a Virgem Maria


  Embora a Virgem Maria não seja idolatrada pelos cristãos (é venerada tanto pelos católicos quanto pelos ortodoxos), o seu papel, como figura de mãe compassiva, tem paralelos com a figura de Ísis. O historiador Will Durant observou que "os primitivos Cristãos por vezes fizeram os seus cultos diante de estátuas de Ísis amamentando o filho Hórus, vendo nelas uma outra forma do nobre e antigo mito pelo qual a mulher (isto é, o princípio feminino) é a criadora de todas as coisas, tornando-se por fim, a "Mãe de Deus"".
  Isto é fruto da exposição dos primitivos cristãos à arte egípcia. Uma pesquisa com "os vinte principais Egiptólogos", conduzida pelo Dr. W. Ward Gasque, um erudito cristão, revelou que todos os participantes reconheceram "que a imagem de Ísis com o bebê Hórus influiu na iconografia cristã da Virgem e o Menino", mas que não houve nenhuma outra semelhança, como por exemplo, que Hórus tenha nascido de uma virgem, que tenha tido doze seguidores, ou outras.

Fonte: Wikipédia
___________________________________________________________________________________

 " Eu estou com você, Lucius, movida pelas suas orações, eu, que sou a mãe do Universo, a senhora de todos os elementos, a primeira filha do tempo, a mais alta das divindades, a rainha dos mortos, a principal de todos os seres divinos, a forma única que funde todos os deuses e deusas; eu, que ordeno por meu desejo as alturas estreladas do céu, as brisas saudáveis do mar e o horrível silêncio dos que habitam o submundo: minha divindade é adorada em todo o mundo em formas variadas, em ritos diferentes e com vários nomes distintos. "
Ísis, a seu adorador Lucius, em Metamorfose, de Apuleius.

A Post Without Image

HISTÓRIA DE DEUSES E HERÓIS - EGITO/AKHENATON

A história do Egito antigo registrou no século XIV a.C. uma inesperada movimentação: o reinado de Amenófis IV, ou Akhenaton, período que marcou a implantação da primeira religião monoteísta do mundo. As mudanças feitas por Akhenaton, que atingiram inclusive as artes, desapareceram ao final de seu governo tão repentinamente quanto surgiram.

AKHENATON
NO REINO DO DEUS SOL

No Egito, terra onde floresceu a maior civilização da Antiguidade, existem centenas de cidades abandonadas, algumas cobertas pelas areias do deserto, outras vizinhas de localidades modernas visitadas por turistas. Entre tais cidades mortas existe uma que constitui um capítulo à parte na história da humanidade, pois foi construída para ser a sede de uma religião nova e revolucionária, sonho de um faraó da XVIII Dinastia, que não pertencia àquela época. São ruínas situadas à margem direita do Rio Nilo, local que os mapas assinalam com a denominação de TELL-EL-AMARNA.
O soberano que ordenou a construção da cidade, chamada então Akhetaton, foi batizado com o nome de Amenófis IV. Não há certeza sobre o ano de seu nascimento. Ele era o herdeiro legítimo do Alto e Baixo Egito, que seus pais, o faraó Amenófis III e a Rainha Tii, governaram de 1413 a.C. até l377 a.C.. O Egito de então dominava a Núbia até a Síria, o Sudão, na região de Méroe, e influenciava todo o Oriente.
O príncipe foi uma criança enfermiça, franzina, porém dotada de bastante personalidade e força de vontade. Numa época em que os sacerdotes de Tebas (a capital do império) possuíam grande poder, o jovem não manifestava temor diante dos deuses, e pouco comparecia às cerimônias realizadas no grande Templo de Amon, principal divindade do panteão egípcio da época.
Amenófis IV subiu ao trono com seu pai ainda vivo, exercendo durante alguns anos a co-regência - uma prática comum no Novo Império, que visava dar ao futuro  governante uma vivência maior frente aos problemas do reino.  Este governo conjunto começou por volta de 1377 a.C.. O príncipe, que era muito jovem - tinha 12 ou 13 anos - estava casado com uma menina da mesma idade, chamada Nefertiti.

A origem de Nefertiti não é bem conhecida, mas uns consideram que ela seria egípcia, de sangue nobre, embora não pertencendo à casa real, ao passo que outros consideram que ela seria uma princesa estrangeira. A falta de documentos que possam elucidar a questão dificulta a solução deste mistério.

Durante os primeiros anos de seu governo, o jovem faraó nada realizou de extraordinário. Nos relevos ele aparece representado caçando leões ou combatendo povos bárbaros. Mas esse período deve ter sido de curta duração, e passados poucos anos o rei já era retratado entre os membros de sua família, primeiro com os pais e posteriormente junto à mulher e às filhas. Nessa nova fase, o soberano mostra um aspecto físico diferente, um corpo disforme, pernas magras e ventre proeminente, constratando com as representações habituais dos governantes - personagens formosas e isentas de defeitos físicos, como se poderia esperar de um deus vivo. Um outro detalhe torna Amenófis IV diferente de seus antecessores. Ele não demonstra respeito por Amon, e desde cedo procura os templos em que existiam imagens de Aton - divindade regional antiga, que tinha o Sol como o verdadeiro e único poder criador, e que não era venerado pelo clero de Tebas. Tais atitudes devem ter preocupado os sacerdotes de Amon, que passaram a prestar mais atenção às ações do Soberano, já considerado suspeito para eles. Para o clero tradicional, deve ter causado inquietação a escolha da cidade de Hermontis para a cerimônia de coroação do novo faraó: isso quebrava a tradição de realizar a cerimônia em Terbas, no templo de Amon. Amenófis IV preferiu outra cidade, justamente no Templo do Sol. Obedecendo ao protocolo, o sumo-sacerdote de Amon se deslocou para o local da coroação, mas o soberano apenas realizou sacríficios em honr ao Sol, não solicitando as bençãos de Amon distríbuidas pelo sacerdote que o representava.

Não se conhece a duração exata do reino conjunto, mas parece ter sido de seis anos. Findo esse tempo, Amenófis III desapareceu de cena, embora não haja indicação de que falecera. Nessa époica, o  novo rei organizou sua sed (a tradicional cerimônia que os faraós realizavam após vários anos de governo, objetivando revitalizar as forças mágicas e recarregar as energias). Estranhamente, Amenófis IV determinou sua  sed no início de seu governo, como se buscasse forças suplementares para uma missão maior. Durante as cerimônias mágico-religiosas do sed, o faraó inaugurou um novo templo em Tebas, dedicado ao Deus-Sol e construído expressamente para a ocasião. Nos meses seguintes ele dirigiu-se constantemente para o local, permanecendo durante várias horas em seu interior, rezando ou meditando. Passado algum tempo, informou aos ministros que resolvera transferir a capital para uma nova cidade, a qual abrigaria a Casa Real e o corpo de servidores diretos do rei. Após sua morte, ele desejava ser enterrado nessa nova cidade. O local escolhido pelo faraó para a capital do reino situava-se numa fértil planície, com árvores e fonte de água. Sua posição à margem do Nilo permitia que os materiais de construção chegassem dos mais diversos pontos do Oriente, num fluxo constante. Além da mão-de-obra normal foram empregados prisioneiros de guerra e presos comuns, o que permitiu uma progressão bastante rápida. Logo no ínicio dos trabalhos o rei informou que a cidade chamar-se-ia Akhetaton  (o "horizonte de Aton"), o que desagradou o clero e surpreendeu o povo.

Nesse período, Amenófis IV não deixou transparecer a totalidade de seu projeto. Os documentos da época não falam da reforma religiosa que estava sendo preparada, mas após quatro anos, quando a cidade já podia receber a família real (visto estarem concluídos o palácio, o quartel da guarda e alguns templos), Amenófis IV comunicou que iria para a nova capital. Mudara seu nome para "Akhenaton"  ("Aton está satisfeito") e pretendia dedicar-se  ao serviço de seu deus, do qual  seria o sumo-sacerdote. Na mesma ocasião, informou que em sua cidade só existiriam templos dedicados a Aton. Com tais medidas, o rei tornava-se o senhor temporal e religioso do Egito, impedindo que, em seu culto, houvesse dualidade e poderes entre o governo civil eo religioso.

A cidade acolheu os trabalhadores e uma série de artistas excepcionais, agora libertos das rígidas normas que agrilhoavam as artes. Pintores e escultores desenvolveram um novo estilo, que os arqueólogos chamam de "Estilo de Amarna", e o resultado foi um movimento semelhante ao Expressionismo. O próprio soberano era retratado de forma naturalista, mostrando suas características físicas e deformidades, contrariando a tradição que apresentava os faraós como deuses, perfeitos e belos. Os escultores retrataram a família real, e o mais perfeito exemplo da arte de Amarna, foi o busto da rainha Nefertiti, descoberto pela expedição germânica de 1886 no atelier do escultor real, Tutmósis, junto a aoutras obras, criadas pelo mestre e discípulos. 

Os sacerdotes de Amon iniciaram uma campanha contra a nova religião, embora mantendo a necessária cautela para não romperem de vez com o faraó.  Akhenaton não deu imprtância aos ataques e tomou outras medidas de impacto, como a de ordenar que no Egito só seria adorado um deus, Aton - medida que não foi acatada senão na capital. E enquanto o rei prosseguia na organização do culto monoteísta e no embelezamento da cidade, seus inimigos prosseguiam em seus planos.

Os sacerdotes de Amon iniciaram uma campanha conta a nova religião, embora mantendo a necessária cautela para não romperem de vez com o faraó.  Akhenaton não deu importância aos ataques e tomou outras medidas de impacto, como a de ordenar que no Egito só seria adorado um deus, Aton - medida que não foi acatada senão na capital. E enquanto o rei prosseguia na organização do culto monoteísta e no embelezamento da cidade, seus inimigos prosseguiam em seus planos. No exterior, o problema era resultante da expansão do império hitita, que rapidamente aumentava sua influência sobre as áreas tradicionalmente fiéis ao Egito, formando alianças com os Estados hostis, como a Babilônia e Assíria. No arquivo de Amarna foram encontradas cartas de reis aliados implorando a Akhenaton mais atenção e apoio militar. Esses assuntos não sensibilizaram o rei, voltado para sua cidade, seu deus e sua família, que ele adorava (isso fica patente nas representações da família resal, onde o soberano aparece abraçando e bejando as filhas e a mulher).

O que diferencia a religião adotada por Akhenaton da tradicional é sua concepção de um deus único, gerador de toda  a vida na terra, representado por um disco solar, com raios prodigalizando vida e bem-estar: uma religião universal, de bondade e amor, aberta a todos e dirigida para o momento presente, ao contrário do culto antigo, voltado para o além-túmulo. Akhenaton era totalmente contrário ao exercício da força, considerando a guerra como uma anomalia que deveria ser evitada a todo o custo. Essa postura deixava seus adversários estrangeiros livres para desenvolver suas políticas expansionistas e formar alianças tendentes a cercar o Egito, isolando-o de seus aliados. A principal obra da cidade era o Templo de Aton, de arquitetura baseada no Templo do Sol de Heliópolis. Pouco restou dele - foi derrubado após a morte de Akhenaton, por ordem direta do sumo-sacerdote de Amon. Pelas descrições, sabe-se que era constituído por uma série de salões sem cobertura, para que o Sol pudesse banhar os fiéis com seus raios, e que permitia acesso a todos os locais exceto um cômodo, fechado por altas paredes e exclusivo do sumo-sacerdote de Aton (o próprio rei). Segundo as inscrições, os intrusos morreriam ao penetrar no recinto sagrado, pois o mesmo era protegido por poderosas forças mágicas.
Colocada em um dos pátios, uma grande estela representava Akhenaton,  acompanhado de seus familiares, adorando Aton, em forma de disco solar. Foi descoberto nas ruínas do Templo por arqueólogos britânicos  após a 1ª Guerra Mundial.  Também foram encontrados alguns dos 365 pedestais ali existentes representando os dias do ano. Estes eram destinados ao recebimento das oferendas dos fiéis. Os alimentos, após serem consagrados pelos raios do deus, eram distribuídos entre os necessitados. Neste aspecto notamos mais uma profunda diferença com a religião tradicional, ávida de ouro e jóias destinadas a enriquecer as confraria de sacerdotes e as estátuas de Amon.

Akhenaton construiu mais duas cidades dedicadas ao Sol. Uma ficava na Etiópia, e era chamada Gem-Aton. Desta cidade existem alguns vestígios, decobertos por arqueólogos ingleses e italianos. A outra, chamada Mis-Aton, situava-se ao norte, talvez na Síria, mas não há dados acerca de sua localização. Ela é  citada  em apenas um documento de arquivo, onde se verifica que foram enviados dois artistas com a missão de erigir uma estela comemorativa.

Os intrigantes sacerdotes de Amon tiveram inúmeras oportunidades para atacar o rei, por sua impiedade pelos deuses tradicionais e por sua incapacidade em resolver os problemas políticos e militares que estavam ocorrendo junto às fronteiras do reino. O povo também não aceitava a religião monoteísta, adorando os deuses antigos;  para a maioria, Aton era apenas um outro deus. Afora esses problemas, o faraó separou-se de Nefertiti após  l5 anos de  matrimônio. Não conhecemos os motivos; sabemos apenas que a rainha abandonou o palácio real, seu marido e suas filhas, e retornou a Tebas. A função de suma-sacerdotisa de  Aton foi exercida por uma filha de Akhenaton, Meryt (cujo marido, Semenkhare, passou a ser co-regente do Egito, juntamente com o sogro). Existem diversas interpretações para a atitude de Nefertiti. A principal e mais verossímil é a de que ela teria se deixado influenciar pelos sacerdotes tebanos e abandonado tudo numa esperança de manter a vida, pois já estaria sendo organizado o assassinato do rei e daqueles que se mantivessem a seu lado. A deserção da esposa deve ter abalado o soberano, e a morte (provavelmente por assassinato) de seu genro e co-regente Semenkhare, ocorrida pouco depois, deixou-o praticamente só. Outra filha, Ankhsepaton, estava casada com um jovem de 12 anos, que talvez fosse filho de Akhenaton com uma princesa de um dos países aliados do Egito. O casamento entre irmãos era uma prática comum no Egito antigo, principalmente na Casa Real. O jovem chamava-se Tut-Ankh-Aton, nome que seria posteriormente mudado para Tut-Ankh-Amon.

O final do reino de Akhenaton foi trágico. Outra filha, a princesa Maketaton, morreu jovem, por razões desconhecidas. Abandonado pela mulher, traído pelos servidores e parentes, o faraó verificou que seus aliados tradicionais se bandeavam para o lado do rei dos hititas.Um dos seus principais aliados, Dushratta, rei do Mittanni, foi assassinado por membros de sua própria guarda, e seu país invadido pelos assírios, aliados dos hititas. A Síria, que durante séculos fora uma colônia egípcia, foi ocupada sem que Akhenaton tomasse qualquer providência de caráter militar. Ele limitou-se a escrever para o rei hitita, Suppiliuliuma, protestando timidamente contra aquela ação e propondo paz, pois a seu ver, a guerra deveria ser evitada a qualquer custo. O hitita respondeu que partilhava das idéias de  Akhenaton sobre a guerra, mas prosseguiu com seus planos de expansão territorial, a custa do Egito. Para os oficiais do exército egípcio, a situação era insustentável. Eles sabiam que ainda eram sificientemente fortes para enfrentar as agressão, mas o moral da tropa caía rapidamente. O rei era  o comandante nominal do exército, mas este, na realidade, estava sob o controle do general Horemheb, que em diferentes ocasiões pediu permissão ao rei para atacar os inimigos - autorização que Akhenaton sempre negou. A situação econômica do reino também era difícil. Sem poder contar com os tributos, que eram enviados enquanto o Egito dominava o Oriente próximo, o rei teve de diminuir o ritmo de construção em que se empenhara para criar novos templos de Aton, e a cidade de Akhenaton parou de expandir.

A morte de Akhenaton nesse momento não espanta. Não sabemos como ocorreu, mas o plausível é que ele tenha sido morto por alguém enviado pelos sacerdotes, ou pelos oficiais do exército, desejosos de passar à ação e reconquistar os territórios perdidos.

O novo faraó foi Tut-Ankh-Amon ("O protetor de Amon"), que subiu ao trono em Tebas, tendo entre seus acompanhantes a sogra e ex-rainha Nefertiti. Ele recebeu a dupla coroa real das mãos do sacerdote de Amon, que o cobriu de bençãos. Nefertiti viveu mais três anos ao lado do genro e da filha, não havendo registros sobre a sua morte. A cidade de Akhetaton foi abandonada e em seguida arrasada pelos soldados comandados pelo general Horemheb. De Akhenaton nada restou. Sua tumba e múmia nunca foram encontradas; é  mais provável que os sacerdotes de Tebas não tenham permitido o embalsamamento do corpo do rei, negando à alma o direito de retornar à vida (o que constituía a mais terrível vingança na religião tradicional).
O grande sonho de Akhenaton durou apenas 17 anos. Sua religião monoteísta foi totalmente extirpada e o culto de Aton proíbido em todo o Egito. O templo que construíra em Tebas foi arrasado e as três cidades criadas para a adoração de Aton derrubadas, e proibiu-se aos egípcios a visitação às ruínas. A herança de Akhenaton também foi trágica. Nefertiti, sobreviveu a seu esposo por apenas três anos. Quanto ao genro, Tut-Ankh-Amon, também morreu jovem, cinco anos após ser colocado no trono - destino que tiveram os familiares de Akhenaton e os sacerdotes que tinham servido ao Deus-Sol. Apenas a princesa Ankhesenamon, cujo nome anterior fora Ankhesepaton, viúva de Tut-Ankh-Amon, viveu mais tempo. Os sacerdotes necessitavam dela para, através de artíficios, criar condições para que alguém de confiança subisse ao trono como soberano legítimo, graças ao matrimônio com uma princesa de sangue real, filha de faraós. No ano de 1335 a.C. o trono do Egito estava ocupado por um novo faraó. Seu nome: Horemheb. Posto: general. Qualificação: fiel aos sacerdotes de Amon, sem jamais ter tido ligações com o culto herético de Aton. Abençoado pelo clero, protegido pelos deuses, ele governaria por mais de 40 anos, morrendo, naturalmente, de velhice. Com Horemheb extingiu-se a XVIII  Dinastia, pois os deuses não lhe deram herdeiro. Sua morte abriu caminho para a ascenção dos faraós guerreiros da XIX  Dinastia, os Ramsés, que derrotariam e destruiriam o império hitita.



TEXTO ADAPTADO DA REPORTAGEM DE AURÉLIO M. G. DE ABREU-REVISTA PLANETA.

AKHENATON É CONSIDERADO O FUNDADOR DA ORDEM ROSA-CRUZ.